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A cada 12 pacientes com história de tratamento de câncer bem-sucedido, um tem chance de apresentar um novo tumor primário

11/08/2016 22:32 - Equipe Área do Médico

Nos Estados Unidos, mais de 8% dos adultos diagnosticados com os tipos mais comuns de câncer têm uma segunda neoplasia (de qualquer tipo, incluindo as raras), de acordo com uma análise de dados norte-americanos dos últimos 20 anos.

A segunda neoplasia diagnosticada com maior frequência foi o câncer de pulmão (18% de todos os segundos tumores primários), seguido por câncer colorretal (12%), câncer de próstata (9%) e câncer de bexiga (8%).

O segundo tumor costuma ser letal: mais da metade dos pacientes (55%) morreu em decorrência do segundo câncer, enquanto apenas 13% morreram devido ao primeiro câncer.

Os oncologistas e demais especialistas, bem como os médicos do atendimento primário, devem estar atentos, não apenas à recidiva do tumor inicial, mas também à possibilidade de um segundo câncer, disse ao Medscape o autor principal, Dr. Nicholas Donin, médico urologista da David Geffen School of MedicineUniversity of California, em Los Angeles.

Este estudo foi publicado online em 5 de julho no periódico Cancer.

O Dr. Donin e colaboradores identificaram mais de 2,1 milhões de adultos diagnosticados com neoplasia primária dentre os 10 tipos mais comuns de câncer (próstata, mama, pulmão, cólon, reto, bexiga, útero e rim, juntamente com os locais anatômicos comprometidos pelo melanoma e pelo linfoma não-Hodgkin) entre 1992 e 2008 a partir de dados do programa Surveillance, Epidemiology, and End Results, do National Cancer Institute, dos Estados Unidos.

Deste grupo, 170.865 (8,1%) apresentaram uma segunda neoplasia primária; o acompanhamento foi superior a seis anos para todos os tipos de câncer primário (com exceção do câncer de pulmão primário, que foi de 4,18 anos).

Os pacientes com câncer de bexiga tiveram a maior incidência cumulativa, 19% tiveram um segundo câncer primário em 10 anos e 34% em 20 anos. A segunda neoplasia mais recorrente foi o câncer de pulmão (25% dos casos).

"O câncer de bexiga frequentemente está associado a história de tabagismo importante. Os urologistas devem considerar o encaminhamento destes pacientes para o rastreamento do câncer de pulmão", explicou o Dr. Donin.

É compreensível que os pacientes com câncer de bexiga tenham tido o maior índice de segundo câncer primário, observou.

A maioria dos tumores de bexiga é de baixo grau em estágio não letal. A sobrevida relativa aos cinco anos do câncer de bexiga é de 80%, e a doença é muito prevalente (em 2012, havia 577.403 pacientes com tratamento bem-sucedido de câncer de bexiga nos Estados Unidos).

Segundo câncer primário letal

"Não me surpreende o percentual de segundo câncer entre pacientes que terminaram um tratamento de câncer, por vários motivos", afirmou ao Medscape o Dr. Eric Horwitz, rádio-oncologista do Fox Chase Cancer Center, na Filadélfia, Pensilvânia, que não participou do estudo.

"Nossos tratamentos primários melhoraram muito e nós temos mais pessoas sobrevivendo por períodos maiores", disse.

O Dr. Horwitz recomendou que os médicos "façam outros rastreamentos de câncer" nos pacientes que trataram um tumor com sucesso. "Os pacientes com câncer de pulmão precisam ser rastreados para câncer colorretal", afirmou.

No grupo de pacientes com dois tumores primários, o diagnóstico de câncer de pulmão foi mais letal, respondendo por 12% das mortes neste grupo, que contabilizaram mais mortes em geral do que o total associado das mortes por melanoma, câncer de bexiga, câncer de tireoide, câncer de rim ou câncer de endométrio como segundo tumor primário.

A proeminência do câncer de pulmão como segundo câncer primário e como causa de morte foi impressionante, declarou o Dr. Donin.

"Isto não começou como um artigo sobre câncer de pulmão, mas foi um alerta", afirmou, acrescentando que parar de fumar se torna especialmente importante para aqueles que trataram um câncer primário com sucesso.

O Dr. Donin também levanta a hipótese de que o câncer de bexiga possa ser um marcador de alto risco de câncer de pulmão. "É uma questão que merece ser indagada", disse, citando um potencial projeto de pesquisa.

 Uma questão que merece ser indagada.Dr. Nicholas Donin  

Os autores do estudo afirmam que os pacientes curados ou em remissão podem ser "especialmente suscetíveis" a novas neoplasias primárias em função de uma variedade de fatores singulares, como síndromes genéticas, exposições etiológicas comuns (em particular ao cigarro) e efeitos tardios da quimioterapia e da radioterapia.

Mas, ao comentar o estudo, Dr. Horwitz argumentou que a segunda neoplasia primária no tratamento do câncer é "um problema maior entre os pacientes com história de tratamento bem-sucedido de câncer na infância". Este estudo não incluiu pacientes com menos de 18 anos de idade. Dr. Horwitz afirmou que "existe um pequeno risco de novo tumor primário decorrente da radioterapia".

Os autores do estudo reconheceram que existe a possibilidade de que alguns tipos de segundos tumores primários sejam, na verdade, metástases dos tumores iniciais.

Isso, no entanto, era pouco provável, afirmaram, pois os casos nos quais o segundo tumor primário foi diagnosticado até um ano depois da primeira neoplasia (N = 557.346) foram excluídos. Além disso, muitas neoplasias secundárias comuns, como por exemplo, câncer de próstata, câncer de bexiga, câncer de mama, câncer colorretal e linfoma não-Hodgkin, ocorrem em locais anatômicos com baixa probabilidade de metástase.

Fonte: A cada 12 pacientes com história de tratamento de câncer bem-sucedido, um tem chance de apresentar um novo tumor primário. Medscape

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