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Aprenda 5 pontos importantes na condução de um paciente com Delirium Tremens

19/04/2016 20:29 - Dr. João Gabriel Ribeiro

Devido a ocorrência expressiva do alcoolismo em nosso meio, os profissionais de saúde devem estar preparados para o pronto atendimento de pacientes com delirium tremens. Nós, da área do médico, gostaríamos de ressaltar 5 pontos importantes na condução deste tipo de paciente:

1) Devido a fisiopatologia do delirium tremens, uma das classes de drogas mais importantes na condução do caso são os benzodiazepínicos. Não é incomum os pacientes necessitarem de, no mínimo, 5mg de diazepam oral de 8/8hs. Aumente gradualmente sempre que os sinais/sintomas de hiperatividade autonômica não estiverem controlados.

2) Sempre que um paciente em libação alcoólica apresentar crise epiléptica, investigue! É comum a associação de distúrbios hidroeletrolíticos, hipoglicemia, traumatismo craniano, infecções e hemorragias cerebrais com o delirium tremens. Antes de associar a crise epiléptica à abstinência, exclua (e trate adequadamente) outras causas possíveis!

3) A administração de drogas simpaticolíticas (clonidina, beta-bloqueadores), tanto sozinhas quanto associadas a baixas doses de benzodiazepínicos pode causar problemas potenciais. Essas drogas dão uma falsa sensação de segurança, por corrigir apenas alguns sintomas autonômicos. Drogas simpaticolíticas não devem ser administradas sem doses adequadas de benzodiazepínicos.

4) A fenitoína (Hidantal) não é efetiva na prevenção ou tratamento das crises epilépticas associadas ao delirium tremens. As crises epilépticas são melhor controladas com uso de benzodiazepínicos e do fenobarbital (Gardenal). Inclusive, uma revisão sistemática do Cochrane concluiu que os ensaios clínicos não demonstraram benefício com uso de terapia antiepiléptica no tratamento da síndrome. Devido ao mecanismo das crises epilépticas induzidas pelo álcool, muitos experts recomendam, se for utilizada uma droga antiepiléptica, o fenobarbital.

5) O uso exclusivo de drogas neurolépticas (anti-psicóticas) no tratamento da agitação e das alucinações pode potencialmente causar problemas. Essas drogas não são eficazes no tratamento e na prevenção do delirium tremens e podem aumentar o risco de crises epilépticas. Uma boa opção, em conjunto com níveis adequados de benzodiazepínicos, é o haloperidol. Além desses 5 pontos chave, devemos ressaltar que o uso do álcool no tratamento da abstinência alcoólica também não é recomendado. Sempre que os sintomas forem importantes, o paciente deverá ser internado para o adequado manejo. 

O professor e neurocirurgião João Gabriel R. Gomes ministra o Minicurso: aprenda o passo a passo sobre abertura e fechamento do protocolo de morte encefálica e o curso Os 10 passos para um bom exame neurológico.

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Dr. João Gabriel Ribeiro

NEUROCIRURGIA

Comentários

  • Dr. Anônimo

    23/04/2016 16:08

    Obrigado!