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Como será o atendimento médico aos atletas olímpicos e paralímpicos

13/07/2016 20:37 - Equipe Área do Médico

Em menos de 30 dias, o Rio de Janeiro receberá 10.900 atletas de 206 países. Além da preocupação com a finalização em tempo de arenas de competição, instalações e obras de infraestrutura, os organizadores e governantes discutem aspectos relacionados à segurança e saúde.

Os serviços médicos tanto para atletas quanto para público e família olímpica (jornalistas, comissão técnica e voluntários) dentro das instalações olímpicas serão oferecidos pelo Comitê Rio 2016, bem como o atendimento hospitalar particular para atletas e família olímpica fora dos locais oficiais dos jogos.

Os preparativos incluem atendimento a partir do FOP (do inglês field of play), ou seja, na beira do campo. Segundo o Diretor Médico da Rio 2016, Dr. João Grangeiro, que é médico ortopedista e ex-atleta, haverá equipes multiprofissionais especializadas e treinadas para socorrer atletas acidentados. "As equipes na beira do campo incluirão médicos, fisioterapeutas, enfermeiros, que, na realidade, vão atuar como socorristas", disse ao Medscape, lembrando que o número de profissionais será estabelecido de acordo com o tamanho do campo ou quadra, "por exemplo, umfield of play muito grande como o do atletismo, contará com quatro equipes".

A partir desse atendimento inicial, será então verificado qual o próximo passo: "a equipe no field of play definirá se o atleta tem condições de voltar a competir ou não. Caso não tenha mais condições, será levado à estação médica – um posto médico ainda dentro da instalação esportiva – para complementar o atendimento. Nesse caso, poderão ser tratadas lesões de menor gravidade, por exemplo, uma entorse pequena ou uma sutura. Mas, se o atleta apresentar lesão grave, por exemplo, uma fratura, será então transferido de ambulância para um hospital de referência", esclarece. Também haverá postos de atendimento médico dentro das arenas de competição para o público.

Os hospitais de referência serão o Hospital Vitória, que conduzirá o atendimento de atletas, e o Hospital Samaritano, que será a unidade de referência para a família olímpica. Ambos estão localizados no complexo Americas Medical City, na Barra da Tijuca. Os dois hospitais juntos têm  494 leitos, 16 salas cirúrgicas e 11 leitos de hospital-dia, para permanências curtas.

"A estrutura que montamos até chegar ao hospital é muito grande, então ela é muito resolutiva. Com isso, a expectativa é que uma quantidade pequena de pacientes seja encaminhada ao hospital. Mas, sempre que houver necessidade, o paciente será transferido para a unidade hospitalar", explicou o Dr. Grangeiro.

Policlínica

Outro ponto importante da organização dos serviços médicos é a Policlínica da Vila Olímpica. A estrutura tem 3.500 m2 e conta com serviços de radiologia que incluem ressonância magnética, Raio X e ultrassonografia.

A Policlínica contará ainda com atendimento médico ambulatorial com clínica geral e médicos de diferentes especialidades: oftalmologia, cardiologia, medicina do esporte e ortopedia, além de serviços de odontologia, fisioterapia e farmácia. A clínica odontológica está capacitada para fornecer também protetores bucais sob medida. Haverá ainda atendimento de urgência e emergência e uma novidade será a utilização de prontuário médico eletrônico.

"As grandes delegações trazem também sua estrutura médica, com médicos, fisioterapeutas, mas não trazem, por exemplo, um aparelho de ressonância magnética, então se um atleta precisar de ressonância magnética, se tiver uma dor de dente, vai recorrer ao nosso serviço", destaca o diretor.

Como a Policlínica fica dentro da zona residencial da Vila Olímpica, ele explica que a unidade poderá fornecer atendimento eventual a pessoas de fora das equipes olímpicas. "Mas a família olímpica ficará em um hotel na Barra da Tijuca próximo ao Parque Olímpico que também será provido de assistência médica", informa.

Ambulâncias novas

À frente da Policlínica permanecerão duas ambulâncias para eventual transporte de pacientes para os hospitais de referência. Essas ambulâncias, bem como aquelas que serão usadas na transferência de acidentados das arenas de competição para unidades de referência, fazem parte de um pool de 146 ambulâncias que o Ministério da Saúde disponibilizará para os Jogos Olímpicos.

O Ministério da Saúde afirmou ter investido R$ 42 milhões na aquisição e equipagem das ambulâncias e que disponibilizará R$30 milhões para a operacionalização dos veículos, que já teriam sido todos entregues à Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro. Além disso, já foram repassadas duas parcelas dos totais R$30 milhões pelo Fundo Nacional da Saúde ao Fundo Estadual da Saúde, que somam R$20 milhões.

Voluntários: o grande desafio

Para o Dr. João Grangeiro, o principal desafio relacionado à organização dos serviços médicos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos diz respeito ao gerenciamento dos voluntários. Segundo ele, em toda a estrutura do evento haverá 45 mil voluntários, com 4500 voltados especificamente para a área da saúde. "Estamos falando de 3000 voluntários nos jogos olímpicos e 1500 nos paralímpicos; é mais ou menos essa proporção", afirma, lembrando que esses voluntários serão os responsáveis pelos atendimentos médicos tanto nas arenas de competição quanto na Policlínica.

"Acho que o grande desafio que temos hoje é o fato de que pela primeira vez vamos utilizar em uma operação muito grande um número de voluntários também muito grande. Seria impossível remunerar todas as pessoas que trabalham em um jogo olímpico. Se não existissem esses voluntários, não haveria a menor possibilidade de se ter o evento. Temos percebido desde os eventos-teste o grande comprometimento desses voluntários, o que é uma coisa até certo ponto comovente, emocionante. Sabemos que são muitos dias, que as jornadas de trabalho são muito longas, cansativas, mas temos uma expectativa grande e positiva", considera o diretor.

Médicos recém-formados sem especialização ou especialistas de todas as áreas, com destaque para medicina esportiva, emergência, ortopedia e traumatologia, cardiologia, oftalmologia, radiologia e acupuntura, bem como enfermeiros, socorristas, fisioterapeutas, massoterapeutas, farmacêuticos, dentistas, técnicos de saúde bucal e higiene bucal, auxiliares de prótese dentária, técnicos de radiologia, técnicos em imobilização ortopédica, optometristas e técnicos em optometria se candidataram ao Programa de Voluntário Rio 2016.

Coordenadores

Além disso, o Comitê Rio 2016 e o Hospital Universitário Gaffrée e Guinle (HUGG) firmaram parceria "para engajamento de profissionais da área de saúde que atuarão como voluntários nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016".

Outra parceria firmada pelo Comitê Rio 2016 foi com a Academia Nacional de Medicina. Segundo notícia no site Rio 2016, esta entidade forneceu apoio técnico-científico na montagem do quadro médico.

O Dr. João Grangeiro explica que os voluntários foram selecionados e vêm sendo treinados já há algum tempo. "Foi feito um treinamento geral para que entendessem a operação como um todo, onde irão trabalhar e o contexto. Houve ainda um treinamento específico com uma grade curricular para atender nossa demanda, o que incluiu treinamento em emergências cardiológicas, emergências de trauma e ortopédicas e também abordamos o atendimento específico das modalidades esportivas", afirmou.

Ele lembra ainda que toda arena de competição terá um gerente médico, que será um profissional contratado. Trata-se de um médico mais experiente, sênior e que será o responsável técnico pela operação médica daquele local.

Quanto às jornadas de trabalho, o diretor explica que nas arenas elas dependerão da programação esportiva de cada uma. "Uma competição de triatlo dura três horas, por exemplo. Uma arena do judô começa de manhã e vai até tarde, do voleibol tem treino de manhã cedo e o último jogo é 23h. Então isso varia muito de esporte para esporte", afirma, lembrando que o funcionamento na Policlínica será de 7h às 23h e a emergência funcionará 24h.

CFM e CREMERJ fiscalizarão as instalações

O Conselho Federal de Medicina também vem trabalhando para auxiliar os médicos voluntários. Segundo o Dr. Emmanuel Fortes Silveira Cavalcanti, coordenador da Câmara Técnica de Medicina do Esporte do CFM, a instituição "atua para que os profissionais não fiquem com dúvidas e trata da questão da legalidade, orientando quanto às exigências para exercer a medicina no país".

Ao Medscape, ele explicou que o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro) está atento às condições que o CFM exige e vem fiscalizando as instalações médicas.

O Dr. Nelson Nahon, vice-presidente do Cremerj, disse em entrevista ao Medscape que o Cremerj irá fazer fiscalizações tanto na Policlínica quanto nos postos de atendimento nas arenas de competição, inclusive nos dias dos jogos, para checar o funcionamento das unidades. "Mas, acredito que não haverá nenhuma falha no atendimento na Policlínica, nossa preocupação é com eventos de múltiplas vítimas, pois, nesse caso, todos os acidentados serão encaminhados para os hospitais públicos. Pode estar tudo muito bem organizado, mas se tiver apenas um evento de múltiplas vítimas em que o nosso sistema de saúde não funcione, a imagem do Rio de Janeiro, a imagem do Brasil poderá ser comprometida", afirmou.

Leia também: Governo gasta R$ 3,89 ao dia na saúde de cada brasileiro

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