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Dieta mediterrânea reduz o risco de eventos cardiovasculares, câncer e diabetes

26/07/2016 22:20 - Equipe Área do Médico

Os achados de uma nova revisão sugerem que seguir uma dieta mediterrânea sem restrição de consumo de gordura pode reduzir a incidência de eventos cardiovasculares (CV), câncer e diabetes tipo 2.

"Nossa conclusão primária é de que existe evidência limitada de ensaios clínicos randomizados de que a dieta mediterrânea sem restrição de gordura pode estar associada a uma incidência menor de eventos cardiovasculares, diversos tipos de tumor, câncer de mama e diabetes tipo 2, mas não afeta a mortalidade por todas as causas", escreve a Dra. Hanna E. Bloomfield, do Minneapolis Veterans Affairs Medical Center, em Minnesota, e colaboradores.

Os resultados de uma revisão sistemática e meta-análise foram publicados online em 18 de julho noAnnals of Internal Medicine.

Apesar dos avanços no diagnóstico e tratamento, doenças crônicas como doença cardiovascular, câncer e diabetes permanecem entre as principais causas de morbidade e mortalidade nos Estados Unidos. De acordo com a Dr. Hanna e colaboradores, as mortes por doença cardiovascular e a prevalência de diabetes aumentaram mais de 40% nas últimas duas décadas em todo o mundo.

"As dietas ocidentais típicas, ricas em gorduras saturadas, açúcar e grãos refinados, são causas de desenvolvimento de doença cardiovascular, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, incluindo mama e colorretal", escrevem os autores.

A dieta mediterrânea é uma dieta rica em frutas, vegetais e em gorduras monoinsaturadas (30% a 40% do consumo de calorias diárias) – em particular azeite de oliva – bem como legumes e peixes, com um consumo baixo a moderado de laticínios e carnes. Diversos estudos mostraram seu benefício na melhora de vários resultados clínicos, incluindo uma redução da mortalidade total.

A Dra. Hanna e colaboradores realizaram seu estudo para avaliar os benefícios à saúde de uma dieta mediterrânea e para determinar se os norte-americanos podem aderir a esta dieta.

"Dietas saudáveis podem incluir bastante gordura"

Os autores pesquisaram vários bancos de dados eletrônicos para identificar estudos para inclusão. Eles incluíram ensaios controlados que envolveram 100 ou mais pessoas, acompanhadas por pelo menos um ano para mortalidade, doença cardiovascular, hipertensão, diabetes e aderência. Eles também incluíram estudos de coorte cujos participantes foram acompanhados para a ocorrência de câncer.

Eles definiram uma dieta mediterrânea como aquela sem restrição no consumo total de gordura e que incluiu dois ou mais de sete componentes: alta relação gordura monoinsaturada em relação à saturada; alto consumo de frutas e vegetais; alto consumo de legumes; alto consumo de grãos e cereais; consumo moderado de vinho tinto; consumo moderado de laticínios; e consumo baixo de carne e produtos derivados, mas com alto consumo de peixe.

Um total de 90 artigos representando 56 estudos únicos preencheram o critério de inclusão, embora três desses estudos estivessem associados a possível fraude em pesquisa e não foram incluídos na análise final.

De acordo com os autores, dados de um grande estudo de prevenção primária mostraram que, em comparação com indivíduos que seguiram uma dieta controle, os participantes que seguiram uma dieta mediterrânea tiveram uma menor incidência de eventos cardiovasculares maiores (infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico ou morte cardiovascular; Hazard Ratio (HR), 0,71; intervalo de confiança IC de 95%, 0,56 – 0,90), câncer de mama (HR, 0,43; IC, 0,21 – 0,88), e diabetes (HR, 0,70; IC, 0,54 – 0,92). 

 

Os pesquisadores também realizaram análises agrupadas de estudos de coorte de prevenção primária que relataram a ocorrência de câncer e que compararam grupos com a maior e menor aderência à dieta mediterrânea.

Esses resultados mostraram que, comparados com indivíduos com a menor aderência, aqueles com a maior aderência a uma dieta mediterrânea tiveram uma redução de 14% na mortalidade total por câncer (RR), 0,86; IC, 0,82 – 0,91; 13 estudos), redução de 4% na incidência de câncer (RR, 0,96; IC, 0,95 – 0,97; três estudos), e uma redução de 9% na incidência de câncer colorretal (RR, 0,91; IC, 0,84 – 0,98; nove estudos).

"O que nós observamos no nosso estudo é que dietas saudáveis podem incluir muita gordura, especialmente se for gordura saudável, e tem se dado ênfase nos Estados Unidos, pelo menos nos últimos 30 anos, em quão importante é reduzir a gordura – todo tipo de gordura – e que a gordura é uma coisa ruim", relata a Dra. Hanna em um vídeo do American College of Physicians.

 

"Acontece que a epidemia de obesidade no país se dá mais provavelmente pelo consumo aumentado de grãos refinados e açúcar e nem tanto pelo nosso consumo de gordura", ela acrescenta.

No entanto, o estudo encontrou evidência inconsistente, mínima ou ausente a respeito de outros desfechos, incluindo mortalidade por todas as causas, hipertensão, função cognitiva, doença renal, artrite reumatoide e qualidade de vida. Além disso, nenhum estudo preencheu o critério de inclusão para aderência a dieta, observam os autores.

"Pesquisas futuras devem incluir ensaios randomizados em populações americanas para avaliar aderência, eficácia e efeito em uma maior variedade de resultados clínicos; definir estudos para determinar se componentes específicos da dieta mediterrânea ou combinações dos componentes são mais protetores do que outros; e ensaios randomizados para avaliar a efetividade relativa da dieta mediterrânea comparada com outras dietas saudáveis, como a DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension)e uma dieta prudente", eles concluem.

Fonte: Dieta mediterrânea reduz o risco de eventos cardiovasculares, câncer e diabetes. Medscape.

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O estudo foi financiado por Department of Veterans Affairs, Veterans Health Administration, Office of Research and Development e Quality Enhancement Research Initiative. Os autores não declararam conflitos de interesses relevantes.

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Equipe Área do Médico

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