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Está na hora da medicina abandonar estas cinco práticas?

23/08/2016 08:14 - Equipe Área do Médico

Uma prática médica tradicional foi questionada no último mês, quando a US Preventive Services Task Force (USPSTF) divulgou o esboço de um documento com orientações afirmando que não há evidência suficiente para recomendar o uso de exames pélvicos de rotina em pacientes assintomáticas que não estejam grávidas. Isso nos levou a perguntar: Quais outras práticas médicas comuns não são baseadas em evidência? Aqui estão cinco práticas comuns que alguns grupos alegam não ser mais necessárias. Você concorda que é hora de aposentá-las? Conte-nos abaixo e compartilhe sua opinião detalhada nos comentários.

Exame pélvico durante consultas de rotina ao ginecologista/obstetra

O que dizem as evidências?

A USPSTF fez sua primeira revisão de evidências sobre exames pélvicos de rotina e não encontrou estudos avaliando o benefício do exame pélvico de rastreio em mortalidade por todas as causas, mortalidade, morbidade ou mortalidade de doenças específicas ou qualidade de vida. A força-tarefa concluiu que não há evidência suficiente para recomendar exames pélvicos de rastreio em mulheres assintomáticas para outras situações além do rastreio de câncer de colo de útero, gonorreia e clamídia. E no último ano, o American College of Physicians (ACP) e a American Academy of Family Physicians (AAFP) publicaram diretrizes se posicionando contra os exames pélvicos de rastreio em mulheres adultas assintomáticas não grávidas. De acordo com a ACP, exames pélvicos de rotina não são úteis no rastreio de tumores além do câncer de colo uterino, podem levar a avaliações e cirurgias desnecessárias e podem causar desconforto nas mulheres, levando-as a deixar de realizar acompanhamento ginecológico.[1,2]

Quem defende essa prática?

American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) recomenda exame pélvico anual para pacientes a partir de 21 anos de idade. No entanto, em um posicionamento recente, o presidente do ACOG, Dr. Thomas Gellhaus, disse que a instituição está revisando as recomendações da USPSTF e que as "as limitações do exame pélvico interno para o rastreio devem ser reconhecidas".[3] De acordo com a declaração, as mulheres com maiores chances de se beneficiar de exames pélvicos são aquelas com possíveis distúrbios do trato genital, alterações menstruais, corrimento vaginal, incontinência, infertilidade ou dor pélvica.

O que tem sido realmente praticado?

De acordo com um levantamento de 2011, a maioria dos ginecologistas e obstetras (98,4%) e dos clínicos gerais (89,5%) afirmou realizar exames pélvicos durante consultas de rotina.[4]

Existe um meio termo?

O especialista e comentarista do Medscape Dr. Andrew M. Kaunitz, explicou que, embora o exame pélvico não seja uma boa maneira de detectar câncer de ovário, ele é efetivo para detectar outras alterações, como prolapso pélvico e pólipos cervicais. Ele recentemente afirmou que continua a realizar nas pacientes durante as consultas de rotina, mas para as pacientes assintomáticas entre 20 e 30 anos, ele apenas realiza exames pélvicos quando indicado para o rastreio de câncer de colo uterino.

Fonte: Está na hora da medicina abandonar estas cinco práticas?. Medscape.

Leia também: Desafio Diagnóstico: imagens e casos clínicos com resposta (parte 1)

Desafio Diagnóstico: imagens e casos clínicos com resposta (parte 2)

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