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Estudo analisa ocorrência de genótipo incomum de rotavírus no Brasil e alerta para a possibilidade de surto

26/04/2016 22:50 - Equipe Área do Médico

Dados coletados entre 2012 e 2014 em cinco estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil apontam uma mudança rápida no padrão de distribuição de genótipos prevalentes de rotavírus do grupo A (RVA). Adriana Luchs e colegas, do Núcleo de Doenças Entéricas do Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, mostram, em artigo publicado em abril deste ano no períodico Acta Tropica, que, de forma inesperada, o genótipo G12P[8], que havia apresentado um declínio acentuado em 2013, foi o mais prevalente em 2014, tornando-se inclusive o único genótipo detectado a partir de julho do mesmo ano. Para o grupo, essa dinâmica pode indicar que um eventual surto está em andamento.

A pesquisa retrospectiva e descritiva analisou amostras fecais coletadas em São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás. Ao todo, 3441 amostras foram triadas para RVA usando o teste imunoenzimático ELISA. O grupo conta no artigo intitulado “Detection of the emerging rotavirus G12P[8] genotype at highfrequency in Brazil in 2014: Successive replacement of predominant strains after vaccine introduction” que os meses de inverno foram os que registraram mais casos de infecção por RVA e setembro apresentou picos da doença em todas as três estações analisadas.

Segundo Adriana Luchs e colaboradores, 19,7% (677) das amostras analisadas foram positivas para RVA e, desse total, 652 foram genotipadas por RT-PCR.
A análise revelou ainda que o genótipo G3P[8] foi o mais prevalente em 2012 (37,6%) e 2013 (40,1%), mas sofreu forte declínio em 2014 (3,5%). Por outro lado, o genótipo G12P[8], que havia sido o segundo mais frequente em 2012 (22,7%), caiu de forma acentuada em 2013 (2,7%), mas ressurgiu e alcançou um pico em 2014 (86,6%).

Informações de vigilância do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) confirmam, de acordo com os pesquisadores, um declínio em longo prazo nas hospitalizações por diarreia infecciosa e gastroenterite no país após a introdução da vacina contra RVA -- a vacina RotarixTM foi incluída em março de 2006 no Programa Nacional de Imunizações. “No entanto, o aumento acentuado da prevalência de hospitalização por diarreia de 2013 a 2014, observado nas regiões Sul e Sudeste é consistente com o que parece ser um surto do tipo G12P[8]”, destacam os autores na publicação.

É provável, segundo o estudo, que porcos tenham sido o hospedeiro-reservatório do genótipo G12, o que, em última análise, pode influenciar a evolução do RVA, devido às múltiplas transmissões interespecíficas do vírus envolvidas. Mas, para os autores do artigo, as vacinas RVA também parecem ter um papel importante nesse contexto, visto que podem “impor uma pressão seletiva adicional sobre as cepas de RVA circulantes, influenciando, possivelmente, sua taxa evolutiva e a capacidade de difundir as novas cepas de RVA globalmente em um curto período de tempo pode ser intensificada devido ao número crescente de pessoas que viajam em todo o mundo”.

Os autores lembram na pesquisa que as duas vacinas RVA licenciadas (além da RotarixTM, existe a RotaTeqTM) focam os tipos G mais prevalentes de rotavírus (G1, G2, G3, G4 e G9) e não há muitos dados sobre a eficácia frente ao tipo G12, embora haja indícios de que provavelmente sejam capazes de atuar também satisfatoriamente nesses casos. De toda maneira, a equipe destaca a importância da vigilância continuada para verificar a eficácia da vacina no Brasil “com a possibilidade de aparecimento de genótipos incomuns”.

Acta Tropica (156:87-94. doi: 10.1016)

Fonte:  Estudo analisa ocorrência de genótipo incomum de rotavírus no Brasil e alerta para a possibilidade de surto. Medscape. 26 de abril de 2016 (Portal Medscape)

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Equipe Área do Médico

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