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Exposição pré-natal a maconha pode afetar desenvolvimento cerebral infantil

20/07/2016 22:43 - Equipe Área do Médico

A exposição pré-natal a maconha está significativamente associada a diferenças de espessura cortical na pré-adolescência, particularmente no lobo frontal, mostra um novo estudo de ressonância magnética nuclear (RMN) estrutural.

"Este estudo, junto com a literatura existente sobre as consequências de longo prazo da exposição pré-natal à maconha e ao tabaco, corrobora a importância da prevenção e da redução do hábito de fumar maconha e tabaco durante a gestação", observam os autores liderados por Hanan El Marroun, psicóloga do Departamento de Psiquiatria da Criança e do Adolescente da Erasmus Universiteit, em Roterdã, na Holanda.

Este estudo foi publicado online em 15 de junho no periódico Biological Psychiatry.

Consumo de tabaco vs. maconha

Os pesquisadores recrutaram os participantes do estudo do Generation R Study, uma coorte prospectiva populacional em andamento. Crianças de seis a oito anos foram convidadas a fazer uma RMN.

A exposição pré-natal à maconha foi avaliada por meio do relato materno, assim como por exames de urina. O uso materno de tabaco foi avaliado prospectivamente por questionários trimestrais enviados pelo correio.

O estudo teve três grupos: 113 crianças não-expostas; 96 crianças cujas mães fumaram somente tabaco durante a gestação; e 54 crianças cujas mães fumaram maconha durante a gestação.

Os autores observam que o uso pré-natal de maconha ocorre com frequência associado ao tabagismo durante a gravidez. Neste estudo, apenas 14,8% das mulheres que consumiram maconha não usaram tabaco durante a gestação; 74,1% continuaram fumando durante a gestação.

Os resultados mostraram que, em comparação às crianças não-expostas do grupo controle, as crianças expostas ao tabaco (mas não as crianças expostas à maconha) tinham menor volume cerebral total.

Em comparação às crianças não-expostas, as expostas à maconha tinham o córtex frontal mais espesso, especificamente uma área de espessamento na região frontal superior do hemisfério esquerdo (clusterwise P < 0,001) e espessamento do lobo frontal do hemisfério direito (clusterwiseP = 0,003).

Alteração da maturação cerebral

Uma possível explicação para este espessamento do córtex pré-frontal é a alteração da maturação do desenvolvimento neurológico, observam os autores.

"O córtex pré-frontal é a porção mais rostral do neocórtex e está envolvido com as funções cognitivas", escrevem. "É uma das regiões corticais nobres a sofrer maturação tardia em comparação às regiões associadas às funções básicas, como o córtex somatossensorial e o córtex visual".

O córtex pré-frontal provê sustentação a funções como a capacidade de suprimir respostas e pensamentos, atenção, controle motor fino e memória de trabalho.

A associação entre a exposição pré-natal a maconha e aumento da espessura do córtex manteve-se significativa após sua correção por covariáveis como escolaridade materna, renda familiar, estado civil, etnia, uso de álcool, psicopatologia materna, QI da criança e peso ao nascer.

Os autores demonstraram anteriormente que a exposição pré-natal a maconha foi associada a aumento da agressividade e transtornos de atenção, particularmente entre as meninas. À medida que as crianças crescem, esta associação pode se tornar mais evidente, observam.

Outros estudos também relacionaram a exposição pré-natal a maconha a notas baixas em avaliações de linguagem, memória e raciocínio abstrato/visual.

As conclusões destes estudos "levaram à hipótese de que o uso pré-natal de maconha possa ter consequências deletérias seletivas no desenvolvimento das funções executivas", observam os autores.

A exposição pré-natal ao tabaco foi associada ao adelgaçamento cortical nos hemisférios direito e esquerdo, a saber, as regiões parietal superior (clusterwise P < 0,001) e frontal superior (P < 0,001). Esta associação permaneceu estatisticamente significativa após a contabilização das covariáveis.

Uma limitação deste estudo foi a morfologia do cérebro ter sido avaliada apenas uma vez, impossibilitando a inferência de conclusões sobre a trajetória do desenvolvimento neurológico dos participantes do estudo. Igualmente, o uso da maconha foi avaliado apenas uma vez durante a gestação, não houve informações disponíveis sobre o uso da maconha no segundo e no terceiro trimestres gestacionais.

A alta incidência de uso de maconha e tabaco juntos dificulta a conclusão de que os efeitos observados nas crianças expostas a maconha tenham sido promovidos pela exposição isolada a maconha, observam os autores.

É necessário realizar mais estudos para explorar a possível causalidade da associação entre a morfologia do cérebro e a exposição pré-natal a maconha, concluem.

Este estudo foi apoiado pelo Sophia Children's Hospital Fund, do Erasmus Medical Centre e pela Netherlands Organization for Health Research and Development. Os autores informaram não possuir conflitos de interesses relevante.

Fonte: Exposição pré-natal a maconha pode afetar desenvolvimento cerebral infantil. Medscape.

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