0

Saiba mais: Alzheimer

30/09/2016 12:50 - Equipe Área do Médico

Fique por dentro sobre a Doença de Alzheimer 

A doença de Alzheimer (DA) é uma desordem adquirida da cognição e de comportamento que marcadamente interfere na funcionalidade social e ocupacional do paciente. É a causa mais comum de demência, e foi inicialmente descrita em 1906 por Alois Alzheimer. Infelizmente, é uma doença incurável, de curso longo e progressivo, caracterizada por deposição de placas de proteína beta-amilóide no hipocampo e em outras áreas do córtex cerebral. Além da deposição de placas beta-amilóide há uma disfunção da proteína Tau, que contribui na fisiopatologia da doença. 

Sabidamente, existem alguns fatores de risco: idade avançada, história familiar, genótipo APOE 4, obesidade, resistência à insulina, fatores vasculares, dislipidemia, hipertensão, síndrome de Down, traumatismo cranioencéfalico e outros.

Um relatório norteamericano de 2015 apontou a existência de 5.3 milhões de pessoas com doença de Alzheimer nos EUA. O risco de DA aos 85 anos é de 11% para homens e 14% para as mulheres, e é mais comum em afroamericanos do que brancos. 

Na história clínica encontramos sinais de perda progressiva da memória, associada a outras perdas cognitivas e anomia, com diminuição de funções executivas e habilidades visuoespaciais. A DA pode ser dividida em 4 fases: pré-clínica, leve, moderada e grave (avançada).

Na fase leve da doença, é comum encontrarmos: perda de memória, confusão em localizar lugares familiares, lentidão para realizar atividades normais do cotidiano, dificuldade para utilizar o dinheiro e pagar contas, julgamento comprometido (levando a tomar decisões ruins), perda de espontaneidade e do senso de iniciativa, alterações do humor e da personalidade e um aumento da ansiedade. Há um aumento gradual e progressivo dos sintomas, e encontramos na fase avançada: não reconhecimento da família ou de pessoas próximas, impossibilidade de comunicação, dependência completa, perda de peso, crises epilépticas, infecções de pele e dificuldade para engolir. Podemos encontrar também gemência e emissão de grunhidos, aumento da quantidade de sono e perda do controle vesical e intestinal. 

O diagnóstico clínico geralmente é feito durante o estágio inicial da doença com quadro clínico compatível e exclusão de outras causas de demência. Geralmente, solicitamos exames de imagem para excluir potenciais causas de declínio cognitivo progressivo (hematoma subdural crônico e hidrocefalia de pressão normal, por exemplo).  Solicitamos também exames laboratoriais, para exclusão de outras patologias. 

Todas as drogas aprovadas pelo FDA americano no tratamento do DA são sintomáticos, e são basicamente inibidores da acetilcolinesterase ou antagonistas do NMDA (N-metil-D-Aspartato). Os inibidores da acetilcolinesterase são: donepezil, rivastigmina e galantamina. O antagonista do NMDA mais utilizado é a memantina.  Além disso, utilizamos algumas drogas no tratamento de sintomas secundários associados à DA: antidepressivos, ansiolíticos, antiparkinsonianos, betabloqueadores, drogas antiepilépticas e neurolépticos. 

Infelizmente, apesar do tratamento correto, a doença é progressiva e o tempo entre o diagnóstico e a morte varia bastante (de menos que 3 anos a mais que 10 anos). A principal causa da morte nos pacientes com DA é a pneumonia. 

Falando de prevenção, não há nenhuma modalidade comprovada cientificamente que previna a DA. Alguns estudos epidemiológicos sugerem que estilos de vida saudáveis podem reduzir o risco de desenvolver a doença, tais como a realização de atividades físicas e a dieta do mediterrâneo. 

Para saber mais sobre a doença, continue antenado no nosso site e nas nossas redes sociais.

 

João Gabriel Ribeiro Gomes — Neurocirurgia

 

White icon 9a69e8f4e14534923dfbeae056bdb8e0921fc2fd3aeeed8bef94503484eb74c3

Equipe Área do Médico

Comentários