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Mães com diabetes gestacional têm bebês com maior peso aos dois meses de idade

01/06/2016 21:42 - Equipe Área do Médico

As mulheres que tiveram diabetes gestacional – mesmo que sob controle e que tenham amamentado seus filhos – ainda podem ter bebês 16% mais gordos aos dois a três meses de vida comparados com os nascidos de mães saudáveis, de acordo com um novo estudo publicado online em 12 de maio de 2016, no periódico Diabetes Care.

Não foram registradas diferenças na composição corporal ao nascimento. A pesquisa é a primeira a mostrar que bebês nascidos de mães com diabetes gestacional acumulam mais gordura nos primeiros meses de vida, comparados com bebês nascidos de mães saudáveis.

“Esse estudo demonstra que bebês nascidos de mães com diabetes gestacional possuem mais tecido adiposo no início da infância, o que pode ser o prenúncio para problemas de saúde a longo prazo”, escreveu a autora principal Dra. Karen Logan, do Imperial College London, Reino Unido, em uma entrevista por email ao Medscape.

“É importante que essa prole seja encorajada a se exercitar e manter um peso saudável à medida em que cresce”, ela acrescentou.

Estudo avaliou o tecido adiposo com RNM corporal total

Estudos prévios já sugeriram uma ligação entre diabetes gestacional e sobrepeso e obesidade nos filhos.

Um estudo recentemente publicado mostrou que o diabetes gestacional e/ou o ganho de peso excessivo durante a gestação aumenta o risco de obesidade na prole durante os 10 primeiros anos de vida, mesmo quando os bebês têm um peso ao nascimento normal.

E o grande estudo Hyperglycemia and Adverse Pregnancy Outcome (HAPO) mostrou que bebês eram mais gordos ao nascimento quando suas mães tinham diabetes gestacional (Diabetes. 2009;58:453–459).

O estudo HAPO, no entanto, usou técnicas indiretas para medir a massa gorda.

Esse novo estudo usou a RNM corporal total para medir diretamente o tecido gorduroso, apontou a Dra. Karen.

Ele incluiu 86 crianças (grupo do diabetes: n=42; grupo controle: n=44) nascidos no Chelsea and Westminster Hospital em Londres, Reino Unido, entre outubro de 2011 e outubro de 2014. Os bebês foram examinados pouco após o nascimento e entre as oito e 12 semanas de idade. Os exames quantificaram o volume de tecido adiposo no corpo todo e em certas regiões, assim como concentração de concentração de gordura hepática (que se correlaciona fortemente com a gordura abdominal interna e doença metabólica).

As mães com diabetes gestacional possuem níveis de glicose sérica bem controlada com uma HbA1c média no terceiro trimestre de 5,3%. A maioria dos bebês foi amamentada até os oito a 12 meses (grupo diabetes 71%, controle 74%).

Com cerca de 11 dias de idade, o grupo da diabetes gestacional e o grupo controle apresentavam volumes semelhantes de gordura total (P = 0,55). Com 10 semanas, no entanto, bebês nascidos de mães com diabetes gestacional tinham um volume adiposo total significativamente maior que o grupo controle (P = 0,01).

Mesmo após ajustes para o tamanho do bebê, o grupo do diabetes gestacional ainda tinha um volume adiposo total significativamente maior que o grupo controle com 10 semanas (16%, P = 0,002).

No entanto, não houve diferenças significativas entre os grupos na distribuição de tecido adiposo e conteúdo gorduroso hepático em nenhum momento.

Embora o desenvolvimento de obesidade na infância possa ser devido a fatores ambientais que promovam o ganho de peso, o estudo sugere que pode existir algo mais, pois as diferenças na gordura ocorrem muito precocemente na infância.

O diabetes gestacional tem efeitos independentes na massa adiposa?

Os resultados permaneceram quase os mesmos depois de ajuste para índice de massa corporal da mãe antes da gestação e para o sexo do bebê. Isso sugere que o diabetes gestacional poderia ter um efeito independente no índice de massa adiposa da criança, de acordo com os autores.

Possíveis mecanismos que podem explicar esses resultados incluem “programação” ainda no útero, mudanças na composição do leite materno e diferenças no apetite do bebê, sugeriu a Dra. Karen.

“Agora é importante estabelecer os possíveis efeitos do aumento da adiposidade na saúde futura dessas crianças e se o tratamento para reduzi-la vai melhorar a saúde metabólica a longo prazo na prole das mães com diabetes gestacional”, concluiu.

Os pesquisadores desse estudo não têm planos oficiais de seguir essas crianças ao longo da vida. Os pesquisadores do HAPO, no entanto, planejam acompanhar as crianças até os dez anos de idade para avaliar os efeitos tardios do diabetes gestacional e da adiposidade em bebês na obesidade e saúde metabólica, de acordo com a Dra. Karen.

Fonte: Mães com diabetes gestacional têm bebês com maior peso aos dois meses de idade. Medscape. 01 de junho de 2016.

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