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Novas diretrizes da AACE têm como objetivo o tratamento realista da obesidade

07/06/2016 19:29 - Equipe Área do Médico

Novas diretrizes para o tratamento da obesidade da Associação Americana de Endocrinologistas Clínicos (AACE) recomendam abordar a obesidade como uma condição médica crônica, com um foco firme em melhorar a saúde do paciente ao invés da perda de peso em si.

O sumário executivo das novas guidelines foi publicado online em 24 de maio de 2016 no periódico Endocrine Practice, juntamente com um algoritmo gráfico colorido e uma declaração separada sobre incorporar o tratamento da obesidade no modelo de tratamento médico crônico.

A revisão completa baseada em evidências será publicada futuramente este ano, no mesmo periódico

O documento e algoritmo expande as referências para obesidade da AACE de 2014 para cobrir rastreio, diagnóstico, avaliação, decisões terapêuticas, objetivos de tratamento e seguimento.

Eles fornecem um esquema para estadiamento da obesidade (de 0 a 2) usando avaliações antropomórficas e clínicas além do índice de massa corporal (IMC), com diferentes limites para certos grupos étnicos e recomendações para rastrear 16 comorbidades relacionadas ao peso. Com base nessas informações, os materiais oferecem orientações para o uso de modificação no estilo de vida, quando considerar medicações para perda de peso, individualização do seu uso e quando considerar cirurgia bariátrica.

“Nós acreditamos que o que desenvolvemos é um modelo para o tratamento crônico de pessoas com obesidade, aplicável para a realidade e bem abrangente”, disse o Dr. W Timothy Garvey, chefe do Comitê Científico de Obesidade da AACE, ao Medscape em uma entrevista no encontro anual da AACE 2016, durante o qual as diretrizes estão sendo oficialmente lançadas.

“Nós esperamos estabelecer um modelo de tratamento que é relevante para a atenção primária e para a subespecialidade, que otimiza a relação risco-benefício e que identifica uma abordagem racional para quando usar medicamentos, como usar os medicamentos e os objetivos do tratamento. Ninguém ainda realmente especificou isso. Eu acho que nós abordamos algumas dessas questões de uma forma baseada em evidência”, indicou o Dr. Garvey.

Como as diretrizes podem ser comparadas?

O Dr. Garvey destacou que outras diretrizes de obesidade ou não são baseadas em evidências ou são limitadas a responder questões selecionadas quando apenas evidência científica forte está disponível e, dessa forma, “podem não ser significativas ou aplicáveis ao tratamento atual dos pacientes... Nós achamos que as diretrizes atuais preenchem essa deficiência”.

O Dr. Michael D. Jensen, que foi vice-presidente do grupo que desenvolveu as diretrizes conjuntas de obesidade do American College of Cardiology (ACC)/American Heart Association (AHA)/Obesity Society (OS) chamou a iniciativa da AACE “de muito bom senso e construída com bom discernimento”, mas também disse que ela não tem o “rigor científico” do documento do grupo ACC/AHA/OS.   

De fato, como o Dr. Garvey observou, o documento do ACC/AHA/OS foi feito para responder apenas cinco questões com dados muito específicos, enquanto as novas diretrizes da AACE respondem nove questões e incluem maior variedade de evidências. Além disso, apenas um dos cinco medicamentos comercializados para perda de peso estava disponível quando o documento do ACC/AHA/OS foi desenvolvido, então ele não inclui orientações específicas para seu uso.

Enquanto isso, a US Endocrine Society também publicou diretrizes para o tratamento farmacológicoda obesidade em janeiro de 2015, que endossou o uso de medicamentos aprovados para perda de peso para pessoas com um índice de massa corporal de 30 kg/m2 e acima de ou pelo menos 27 kg/m2 com uma ou mais comorbidades.

O Dr. Jensen comentou: “Devido à natureza e intensidade da forma como o ACC/AHA/OS fez suas diretrizes, nós pudemos abordar apenas cinco questões, mas eu acho que as respondemos definitivamente... A abordagem deles (AACE) é muito mais ampla”.

Ainda assim, o Dr. Jensen disse que ele tem apenas uma discordância importante com o algoritmo da AACE: este aconselha consideração de medicamentos para a perda de peso em pacientes obesos, mas que não tenham outros problemas médicos.

“Não há dado em lugar algum na literatura mostrando que se você der medicação, todas as quais têm riscos e custos, para pessoas que são completamente saudáveis, você fará alguma coisa além de consumir seu dinheiro e sujeitá-las ao risco de complicações dos medicamentos”.

E o Dr. Jensen observou que enquanto ele concorda absolutamente com a abordagem em estágios baseada em complicações da AACE ao invés do esquema atual baseado no IMC, “nada na literatura diz que intervenções serão mais efetivas se você categorizar as pessoas dessa forma”.

Fonte: Novas diretrizes da AACE têm como objetivo o tratamento realista da obesidade. Medscape. 06 de junho de 2016.

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