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Proteção da vacina contra meningite B é menor do que se esperava

23/08/2016 08:31 - Equipe Área do Médico

Uma análise feita três anos após o surto de Neisseria meningitidis B, em 2013, na Princeton University,em New Jersey, mostrou que a vacinação realizada ficou aquém das expectativas.

Em 2013, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA concedeu aprovação especial para o uso de uma vacina de multicomponentes do meningococo sorogrupo B (4CMenB) que ainda não era licenciada nos Estados Unidos, mas que havia sido licenciada na Europa e Canadá.

Os dados sugeriam que a vacina (Bexsero, GlaxoSmithKline) controlaria o surto porque isola antígenos expressos muito semelhantes aos antígenos da vacina.

Nicole E. Basta, professora assistente da School of Public Health na University of Minnesota,em Minneapolis, com seus colaboradores, buscou quantificar as respostas imunológicas induzidas pela 4CMenB durante o surto. Os resultados foram publicados na edição de 21 de julho do New England Journal of Medicine.

Eles descobriram que dois meses após a administração da segunda das duas doses, o nível de imunidade protetora foi menor que o esperado.

Não havia evidência de uma atividade bactericida no soro humano (hSBA) em resposta à cepa do surto em 33,9% dos vacinados, embora nenhum caso de doença meningocócica causada por N. meningitidis B tenha sido relatado.

Entre os 499 estudantes que receberam as duas doses da vacina (com 10 semanas de intervalo), 66,1% (IC de 61,8% - 70,3%) tinham imunidade protetora para a cepa do surto, embora a média geométrica da titulação fosse baixa, de 7,6 (IC de 95%, 6,7 – 8,5). Os pesquisadores definiram soropositividade como uma titulação de hSBA de 4 ou mais.

Em um grupo aleatório de 61 pessoas que também receberam duas doses, mas não tinham uma resposta protetora detectável para a cepa do surto, 86,9% (IC de 95%, 75,8% - 94,2%) foram soropositivos para a cepa 44/76-SL, muito semelhante.

Esses achados têm implicações nas políticas de vacinação para prevenção e controle da doença pelo meningococo B.

Os autores escrevem que é possível que aqueles que não mostraram evidências de proteção contra a cepa do surto, mas que tiveram resposta imune aos antígenos usados para desenvolver a vacina, possam se beneficiar com algum nível de proteção.

"Nossos achados levantam questões sobre se uma terceira dose de 4CMenB poderia aumentar a proporção de respostas soropositivas contra cepas que não foram perfeitamente correspondentes à vacina", escrevem os pesquisadores.

Outros sorogrupos evitáveis

Embora os sorogrupos A, C, W e Y de sejam evitáveis com vacinas disponíveis, o desenvolvimento de uma vacina para o sorogrupo B tem sido desafiador.

 

Em um editorial de acompanhamento, o Dr. Jerome H. Kim, do International Vaccine Institute,em Seul, Coreia do Sul, escreve: "Existe uma diversidade genética (e antigênica correspondente) substancial, e a doença meningocócica pelo sorogrupo B é incomum e está em declínio em países onde a ocorrência é bem entendida. A incidência de doença meningocócica nos Estados Unidos é historicamente baixa (0,18 por 100.000 pessoas-ano em 2013, incluindo os sorotipos A, C, W, Y e B)".

O Dr. Kim observa que mais de 60.000 pessoas receberam pelo menos uma vacinação com a 4CMenB em estudos em todo o mundo, e que o perfil de segurança dessa vacina tem sido bom.

"Para uma doença infecciosa relativamente incomum, porém devastadora, a aprovação regulatória de uma vacina na ausência de dados ideais pode ser necessária e apropriada se a vacina é implantada no contexto de resposta sistemática em saúde pública, e se há um comprometimento com a geração de informações adicionais necessárias para determinar as recomendações para o uso", escreve.

 

O FDA aprovou em 2015 a 4CMenB e a MenB-FHbp (Trumenba, Wyeth) para pessoas com idade de 10 a 25 anos por meio de um acelerado processo cuja intenção foi tratar doenças graves ou ameaçadoras à vida com a ressalva de que estudos posteriores de efetividade seriam necessários.

Sete surtos em sete anos

Nos Estados unidos, a doença meningocócica representa uma ameaça pública considerável, especialmente para crianças e jovens adultos.

 

Entre 2009 e 2015, ocorreram sete surtos de meningococo B em universidades americanas, e o surto de 2013-2014 em Nova Jersey levou a nove casos, incluindo um óbito.

Os autores concluíram que mais pesquisas são necessárias: "Ainda não se sabe se a 4CMenB vai induzir imunidade suficiente contra diversas cepas, especialmente durante surtos", escrevem.

O estudo foi financiado pela Princeton University, o National Institutes of Health, o Department of Homeland Security, e pelo National Institutes of Health Fogarty International Center. Vários coautores relataram apoio de GlaxoSmithKline, Novartis, Pfizer, e Sanofi Pasteur, todos não relacionados ao trabalho submetido. Os editorialistas declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Fonte: Proteção da vacina contra meningite B é menor do que se esperava. Medscape.

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